Um pouco mais sobre a experiência produtiva do Projeto Abelhas Nativas (PAN)



No Projeto Abelhas Nativas (PAN*), a escolha do tipo de caixa para a criação da abelha Tiúba (Melipona fasciculata) não foi por acaso. A escolha do tipo de caixa procurava atender o  objetivo do criador, focando especificamente na maximização da produção de mel.


*Saiba Mais sobre o PAN aqui (https://ian-canal.blogspot.com/2022/05/projeto-abelhas-nativas-20-anos-de.html)


Modelos de Caixa e Seus Desafios

  • Propósito Define a Caixa: A escolha da caixa deve ser guiada pelo objetivo final, seja ele produção de mel, polinização ou educação ambiental.
  • O Modelo Kerr: Para a produção de mel, a caixa indicada foi o modelo Kerr, resultado de pesquisa acadêmica, e que estabelece um volume interno ideal de 30 litros para a Tiúba, visando maior produtividade.
  • Dificuldades do Modelo Original: Embora eficaz em volume, a caixa Kerr tradicional (um módulo único e profundo) apresenta um desafio prático: a extração de mel com bombas manuais (extratores) torna-se difícil e inconveniente devido à sua profundidade.

A Solução: Caixa de Dois Módulos

Para resolver o problema da extração, o PAN desenvolveu e utiliza uma adaptação do modelo Kerr, mantendo o volume total de 30 litros, mas dividido em dois módulos sobrepostos.

Como funciona o Sistema? : No período normal: A colônia é mantida em um único módulo (o ninho, com cerca de 15 litros, que é o volume médio natural dos ninhos de Tiúba). No período de alta arodutividade: Durante a florada principal (que na região do Maranhão ocorre entre setembro e novembro, no final da estação chuvosa), o segundo módulo é adicionado, dobrando a capacidade da caixa para 30 litros. Isso incentiva a abelha a estocar o excedente de mel.

Design e Estrutura: A caixa adaptada possui uma grade de suporte de madeira entre o módulo do ninho e o superior. Função da Grade: O peso do mel pode ser tão grande (já se chegou a colher 12 litros de uma única caixa) que os potes de mel podem romper os potes inferiores. A grade serve para sustentar o peso, evitando o colapso e a perda de mel e consequente destruição do ninho.


Manejo Estratégico para o Sucesso

O uso da caixa correta é apenas uma parte de um sistema de manejo mais amplo e paciente.

  • Respeito à Dinâmica da Espécie: É crucial respeitar a biologia e o ciclo natural da abelha em seu bioma de origem. Não se deve simplesmente mover colônias para outras regiões esperando o mesmo resultado.
  • Melhoramento Genético: O sucesso comercial depende de um processo contínuo de seleção e melhoramento das colônias. O criador deve identificar as colmeias mais produtivas e dividir apenas elas, multiplicando assim as melhores genéticas do seu meliponário.
  • Paciência e Longo Prazo: Adverte-se que este não é um processo rápido. Atingir um nível de produção comercial sustentável com a Tiúba leva, em sua experiência, pelo menos cinco anos de manejo dedicado.
  • Aproveitamento de Subprodutos: Após a colheita do mel, o módulo superior é removido. A cera excedente, que é de alta qualidade, pode ser beneficiada e utilizada para a produção de outros itens, como sabonetes artesanais, agregando mais valor à atividade.

Em suma, uma abordagem integrada que combina o uso de uma caixa com volume adaptado ao pico de produção, um manejo que respeita a ecologia da abelha e um programa de melhoramento genético a longo prazo é o caminho para maximizar a produção de mel de forma sustentável.

 Por Murilo Drummond

*clique na imagem para acessar o vídeo. Se não disponível, acesse-o na plataforma Meliponicultura Sem Rodeios+

 

Comentários

  1. A atenção com a genética das abelhas é muito importante. Assim como a paciência com a evolução delas.

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    1. Paciência, é o que menos temos visto entre meliponicultores com propósitos

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