Projeto Abelhas Nativas - 20 anos de história de erros e acertos por uma meliponicultura sustentável
As datas comemorativas servem para lembrar que todos nós temos um vínculo com o passado, seja ele qual for. Sejam lembranças boas, que reafirmam a máxima “se é para copiar que se copie o melhor”, sejam lembranças ruins, para nunca mais se repetir erros e decisões mal tomadas.
Num momento em
que se comemora o Dia Mundial da Abelha (20/05) e o Dia do Criador de Abelha
(22/05), não há melhor oportunidade para se comemorar uma trajetória que foi
significativa para mudar as perspectivas da meliponicultura produtivista no
Brasil.
Neste ano o
Projeto Abelhas Nativas (PAN) faz 20 anos que começou a colher seus primeiros
frutos, com desdobramentos que culminaram com a tecnologia da meliponicultura
comunitária, nos anos seguintes.
O PAN foi um projeto de desenvolvimento socioambiental comunitário baseado na criação das abelhas nativas sem ferrão. Ele teve início em 2001, na região do Baixo Parnaíba, no Maranhão. Concebido para envolver cinco comunidades rurais, transformou-se numa ampla experiência de desenvolvimento socioambiental comunitário, chegando a atender 21 comunidades e 180 famílias.
O que significou esta experiência? Muita coisa. Só para destacar algumas conquistas pioneiras cito as seguintes: a) desenvolveu o extrator manual de mel, b) introduziu a maturação como técnica de estabilização do mel para comercialização, c) desenvolveu a tenda de extração, d) aperfeiçoou os procedimentos das boas práticas de extração, e) aperfeiçoou a tecnologia de processamento e aproveitamento do pólen e do cerume, f) implantou sistema gerencial otimizado de extração comunitária, g) colocou o mel de abelha sem ferrão em outro patamar quanto a design de produto, h) introduziu a venda de mel pela Internet (site Meliponina), i) desenvolveu o sistema de condomínio de negócios no comércio justo e solidário, j) desenvolveu a tecnologia social da meliponicultura comunitária.
É importante destacar que isto não seria possível se não houvesse uma organização da sociedade civil (AMAVIDA) e uma instituição de natureza técnico-cientifica e educacional (UFMA) comprometidas em, não só auxiliar, mas, dar protagonismo aos comunitários. Junta-se a isto, o apoio de diversas instituições públicas e privadas (ISPN, FBB, ALUMAR, Suzano S/A, ITS) e mais ainda, principalmente, o apoio de pessoas físicas dessas instituições, que superaram as políticas de relacionamento delas, indo além do pensamento institucional, e temos o caldo perfeito para o desenvolvimento de uma tecnologia social verdadeira.
Porém, como nem tudo são flores, os entraves burocráticos e legais ainda a serem superados no Brasil, são as maiores barreiras que temos enfrentados para que a meliponicultura produtivista possa de fato se deslanchar. Infelizmente, pasmem, ainda estamos presos a uma espécie de estampagem cultural que não permite que nos desvinculemos do modelo imposto pela apicultura.
O sul e o sudeste, com raras exceções, não possuem estrutura para passarem pelos mesmos potenciais produtivos do norte e nordeste. Mas tem potencial de produção sim, se os criadores optarem por seguir a lógica da meliponicultura comunitária e transpor as amarras conceituais da apicultura. Esta é a única forma de não sacrificar as “galinhas dos ovos de ouro” que os criadores têm em mãos, garantindo a conservação das espécies locais.
Por esta razão, valorizamos iniciativas, como a da Associação dos
Meliponicultores do Espírito Santo / AME-ES, que procuram dar aos seus
associados alternativas que quebram a lógica do pensamento dominante e estejam
dispostos a superar os inúmeros desafios presentes. Precisamos ouvir mais e
aprender com os erros e acertos de outras experiências.
Para saber, mais acesse o link do YouTube e se inscreva em nosso canal: https://youtu.be/NG2H3b5ktIY
Instituto Abelhas Nativas
1o Vice-Presidente
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