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Nova Meliponicultura - Por uma economia da vida, nascida do Maranhão e aberta ao mundo

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  A Nova Meliponicultura nasceu da convivência — não da domesticação. Ela floresceu no campo, entre as abelhas e as pessoas, quando o Projeto Abelhas Nativas no Maranhão, revelou que criar abelhas sem ferrão é muito mais do que produzir mel: é aprender a viver em equilíbrio. Nas comunidades maranhenses, a experiência mostrou que cada colônia é uma escola ecológica e cada meliponário, um território de regeneração . Dessa vivência nasceu uma concepção viva — científica, ética e cultural — que coloca as abelhas no centro de um novo pacto com a natureza. 1. Um paradigma de convivência A Nova Meliponicultura reconhece as abelhas sem ferrão como espécies silvestres e sujeitos ecológicos . Elas não são recursos, mas mestras da convivência , arquitetas invisíveis da biodiversidade. Criá-las é cuidar da paisagem, regenerar os ecossistemas e reencontrar o sentido da interdependência. 2. Uma economia ecológica e simbiótica A Nova Meliponicultura está ancorada nos princípios ...

A Nova Meliponicultura: uma visão viva sobre o futuro das abelhas nativas e do planeta

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    Durante décadas, a meliponicultura brasileira foi compreendida principalmente como uma atividade de criação — um manejo técnico de colônias, centrado na produção de mel, própolis e multiplicação de ninhos. Essa perspectiva foi essencial para consolidar o campo, mas hoje já não é suficiente para responder aos desafios ambientais, sociais e culturais que envolvem as abelhas sem ferrão. É nesse contexto que surge a Nova Meliponicultura — uma proposta que ultrapassa a criação de abelhas e propõe um novo modo de pensar, sentir e agir em relação a elas. Da colmeia ao ecossistema A Nova Meliponicultura reconhece que cada colônia é mais do que um conjunto de indivíduos: é uma expressão viva do território , uma síntese entre paisagem, flora, clima, cultura e história local. Criar abelhas nativas é, portanto, criar condições para o florescimento de ecossistemas , fortalecendo o equilíbrio entre espécies e a regeneração das relações humanas com a natureza. Do meliponicult...

Meu "Fracasso" no Maranhão, Parte 2: O Método de Seleção que Gerou 3,50kg/cx Mel

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  No artigo anterior, eu relatei como uma dificuldade de manejo no Maranhão nos forçou a observar a seleção natural em ação. A conclusão foi clara: para a produção comercial de mel de Tiúba ( Melipona fasciculata ), o caminho não era a alimentação artificial, mas sim identificar e multiplicar as colônias que sobreviviam sozinhas à estação de escassez. Muitos perguntaram: "Certo, mas qual o método?" Vou detalhar agora, passo a passo, como estruturamos esse manejo de seleção, que nos levou a resultados tão expressivos. 1. A Ferramenta Adequada: A Caixa de Produção Tudo começa pela ferramenta. Baseamos nosso modelo nos estudos do professor Warwick Kerr, que indicava para a M. fasciculata um volume ideal próximo de 30 litros para produção, o que é cerca do dobro do que elas costumam ocupar na natureza. Adotamos caixas modulares de 27-29 litros, mas com uma divisão funcional clara: "Caixa-Cria": O módulo inferior (ninho + sobreninho), com cerca de 15 litros. Este é o ...