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Como Preparar suas Abelhas Sem Ferrão para o Inverno: Um Guia Prático e Consciente

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  Murilo S Drummond   Com a chegada do outono e a proximidade do inverno, a meliponicultura entra em uma fase que exige extrema atenção. A queda das temperaturas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, muda drasticamente a dinâmica dos meliponários. Na Nova Meliponicultura , defendemos uma prática baseada na ética e na mínima intervenção. O objetivo não é criar as abelhas dentro de uma "bolha artificial", mas sim garantir que elas tenham as condições naturais (e, em último caso, um suporte emergencial) para atravessar os meses difíceis. Neste artigo, vamos entender como o clima afeta suas colônias e como agir de forma correta. O Desafio do Clima: Chuva vs. Frio Para manejar abelhas corretamente, o criador precisa ser um bom observador do clima local. Existem dois fatores principais que impedem as abelhas de forragear (buscar alimento na natureza): A Pluviosidade (Chuva): Em regiões como o Maranhão, o primeiro semestre (março a maio) é marc...

Ninhos Piloto: A Ferramenta Essencial para uma Meliponicultura Sustentável

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  Murilo S Drummond 1   Com a expansão da meliponicultura e o aperfeiçoamento dos processos de manejo, muitos criadores acabam focando apenas na multiplicação de enxames para venda. Esse foco exclusivo na comercialização pode criar uma "bolha", onde o meliponário fica completamente desconectado da realidade ambiental do seu entorno. Para evitar que a criação se torne insustentável e dependente de intervenções artificiais constantes, é fundamental adotar práticas que respeitem a biologia das abelhas sem ferrão — que, vale lembrar, são animais silvestres e não domésticos. É aqui que entra uma das ferramentas mais importantes para o criador: o Ninho Piloto , também conhecido como Ninho Sentinela . O que é um Ninho Piloto? O Ninho Piloto é uma ferramenta de monitoramento e diagnóstico. Ele serve para avaliar de forma sistemática os parâmetros de ambiência do meliponário. Em termos práticos, é uma colônia indicadora que vive no ambiente sem (ou com o mínimo de) interven...

A Importância das Metas na Meliponicultura: Do Hobby ao Planejamento Estratégico*

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       Murilo S Drummond 1  & MeliponIA 2 Muitas pessoas começam a criar abelhas sem ferrão de forma descompromissada, apenas como um hobby com boas intenções. Com o tempo, o afeto pelas abelhas cresce e a atividade naturalmente se expande. No entanto, sem um planejamento adequado desde o início, essa expansão acaba esbarrando em diversas dificuldades práticas e legais. A falta de um propósito bem definido — seja para a produção de mel, pólen, própolis ou para a polinização — pode criar entraves que transformam o que era um momento de lazer em uma atividade complexa e frustrante. Muitos criadores multiplicam ninhos sem avaliar se a estrutura do local comporta esse crescimento, gerando despesas imprevistas e problemas de manejo. Para auxiliar os criadores a superar esses desafios, existem cursos como o "Meliposfera" (oferecido presencialmente em Sete Lagoas e também online) e o "Meta em Meliponicultura", disponíveis na plataforma " Meliponicultura Sem Rodeio...

Nova Meliponicultura - Por uma economia da vida, nascida do Maranhão e aberta ao mundo

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  A Nova Meliponicultura nasceu da convivência — não da domesticação. Ela floresceu no campo, entre as abelhas e as pessoas, quando o Projeto Abelhas Nativas no Maranhão, revelou que criar abelhas sem ferrão é muito mais do que produzir mel: é aprender a viver em equilíbrio. Nas comunidades maranhenses, a experiência mostrou que cada colônia é uma escola ecológica e cada meliponário, um território de regeneração . Dessa vivência nasceu uma concepção viva — científica, ética e cultural — que coloca as abelhas no centro de um novo pacto com a natureza. 1. Um paradigma de convivência A Nova Meliponicultura reconhece as abelhas sem ferrão como espécies silvestres e sujeitos ecológicos . Elas não são recursos, mas mestras da convivência , arquitetas invisíveis da biodiversidade. Criá-las é cuidar da paisagem, regenerar os ecossistemas e reencontrar o sentido da interdependência. 2. Uma economia ecológica e simbiótica A Nova Meliponicultura está ancorada nos princípios ...

A Nova Meliponicultura: uma visão viva sobre o futuro das abelhas nativas e do planeta

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    Durante décadas, a meliponicultura brasileira foi compreendida principalmente como uma atividade de criação — um manejo técnico de colônias, centrado na produção de mel, própolis e multiplicação de ninhos. Essa perspectiva foi essencial para consolidar o campo, mas hoje já não é suficiente para responder aos desafios ambientais, sociais e culturais que envolvem as abelhas sem ferrão. É nesse contexto que surge a Nova Meliponicultura — uma proposta que ultrapassa a criação de abelhas e propõe um novo modo de pensar, sentir e agir em relação a elas. Da colmeia ao ecossistema A Nova Meliponicultura reconhece que cada colônia é mais do que um conjunto de indivíduos: é uma expressão viva do território , uma síntese entre paisagem, flora, clima, cultura e história local. Criar abelhas nativas é, portanto, criar condições para o florescimento de ecossistemas , fortalecendo o equilíbrio entre espécies e a regeneração das relações humanas com a natureza. Do meliponicult...

Meu "Fracasso" no Maranhão, Parte 2: O Método de Seleção que Gerou 3,50kg/cx Mel

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  No artigo anterior, eu relatei como uma dificuldade de manejo no Maranhão nos forçou a observar a seleção natural em ação. A conclusão foi clara: para a produção comercial de mel de Tiúba ( Melipona fasciculata ), o caminho não era a alimentação artificial, mas sim identificar e multiplicar as colônias que sobreviviam sozinhas à estação de escassez. Muitos perguntaram: "Certo, mas qual o método?" Vou detalhar agora, passo a passo, como estruturamos esse manejo de seleção, que nos levou a resultados tão expressivos. 1. A Ferramenta Adequada: A Caixa de Produção Tudo começa pela ferramenta. Baseamos nosso modelo nos estudos do professor Warwick Kerr, que indicava para a M. fasciculata um volume ideal próximo de 30 litros para produção, o que é cerca do dobro do que elas costumam ocupar na natureza. Adotamos caixas modulares de 27-29 litros, mas com uma divisão funcional clara: "Caixa-Cria": O módulo inferior (ninho + sobreninho), com cerca de 15 litros. Este é o ...