Meliponário Sem Fronteiras
As abelhas são responsáveis pela polinização de,
aproximadamente, 80% das Fanerógamas (plantas com sementes), muitas delas de
grande importância agrícola.
Atualmente, existem mais de 17.000 espécies de
abelhas descritas no mundo, e cerca de 1500 no Brasil.
Dessa forma, para entendermos a importância das
abelhas e para falarmos em espécies ameaçadas, faz-se necessário darmos foco
nos estudos para além da abelha africanizada (Apis mellifera), que
possui grande interesse econômico e é a espécie mais conhecida no senso comum,
porém a menos ameaçada de todas.
Infelizmente, o mundo ainda insiste que é a economia
que deve ditar a ecologia, quando na verdade, ao contrário, a economia é que é
componente da ecologia.
E para reforçar o conceito que a economia colaborativa
e empreendedora depende de organização e parcerias, o IAN e os Engenheiros sem
Fronteiras se uniram à UFSJ em Sete Lagoas para uma ação inédita.
O projeto apoiado pelo
IAN, cujo objetivo é realizar atividades de Ensino e Extensão
relacionadas à Meliponicultura, consiste em um evento para 20
mulheres do bairro itapuã e 10 para horticultores e população em geral no dia
23 de março de 2023. Essa Capacitação
abordará
a criação de abelhas nativas e conta ainda com o apoio da Prefeitura Municipal
de Sete Lagoas, Câmara Municipal de Sete Lagoas, SAAE da Epamig e Embrapa, Cooperativa de Agricultores Familiares de Sete Lagoas e
região (Coopersefa).
Os
relatos das convidadas mostram que se sentiram empoderadas em participar da
iniciativa. Características
que são inerentes às mulheres são muito bem-vindas ao agronegócio e a maioria
traz experiência em hortas comunitárias. Ações que incentivem o empoderamento feminino e a importância
da mulher na geração de renda para as famílias também serão amplamente
contemplados durante todo o projeto.
Em relação ao
significado das hortas comunitárias a proposta global do projeto no tocante à
área cedida pela UFSJ e Embrapa é atender especialmente a comunidade
circunvizinha do bairro Itapuã II.
Será conduzida com os
parceiros, promovendo interação entre a comunidade e a Universidade, possibilitando
apoio técnico e científico fundamental para a melhoria socioeconômica da
comunidade.
Desta forma, é possível contribuir para que o produtor consiga
ter retorno econômico e independência financeira, buscando a soberania
alimentar das famílias que forem atendidas tanto pelos programas da prefeitura,
quanto da equipe técnica da Universidade.
Especialmente, no
sentido da organização, do planejamento futuro, no cuidado com os pequenos
detalhes no manejo, as mulheres trazem uma resposta muito boa em qualquer
atividade na meliponicultura.
Outro
aspecto a ser destacado na iniciativa como um todo diz respeito, aos
universitários da Universidade Federal de São João Del Rey, cujos alunos são
idealizadores do Projeto, a proposta cumprirá os objetivos relativos aos aspectos
biológicos, econômicos e sociais da atividade de modo que o(a) egresso(a)
esteja habilitado a conduzir meliponários de maneira racional e com vistas a
diferentes fins, como hobby, utilização das abelhas para o incremento em
produtividade de lavouras e florestas e obtenção de renda alternativa através
da comercialização de mel e outros produtos das abelhas sem ferrão.
Considerando
ainda a sua natureza ecológica relacionada a preservação dos meliponídeos e
manutenção dos ecossistemas a partir da promoção da polinização, se soma aos
aspectos econômicos relacionados aos produtos obtidos em meliponários para dar
forma a uma grandiosa ferramenta de promoção socioambiental que dialoga com
diversas pautas da Agenda 2030 proposta pela Organização das Nações Unidas
(ONU), com destaque para as metas dos objetivos que tratam do crescimento
econômico e da manutenção da biodiversidade.
Através
da capacitação em Meliponicultura oferecida para 30 pessoas, os alunos
acreditam que estarão contribuindo para a diminuição da pobreza, pois entendem
que esta é uma atividade socialmente justa e passível de ser ecologicamente
correta, de modo que além da possibilidade de geração de renda e diminuição das
desigualdades no bairro, estarão colaborando com a manutenção da vida na terra
através da preservação de abelhas nativas que são chaves para a conservação de
espécies vegetais nativas através da polinização.
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