Meliponicultura, sustentável ou responsável?

 


Em um artigo passado, você pode acessar no link aqui, fiz uma abordagem sobre a necessidade de segmentação dos atores da meliponicultura, haja vista a estrema diversidade de articulações conflitantes em andamento, cada uma, como se diz, “puxando sardinha pro seu lado”.

O problema é que algumas dessas puxadas de sardinha não são tão nobres assim, ou mesmo são bastante perniciosas para a conservação das abelhas sem ferrão.

Pois bem, por que segmentar? Muitas pessoas, bem-intencionadas, seduzidas ou mal-informadas, acabam por seguir uma trajetória que não traduz sua intencionalidade.

É o caso daqueles que se engajam na missão de conservar as abelhas, mas seguem diretrizes completamente contraditória a sua intenção.

Segmentando, temos condições de tipificar quem é quem na meliponicultura, permitindo os estabelecimento de alianças entre pensamentos comuns, otimizando as ações de conservação que é nosso principal propósito.

Os atores na meliponicultura brasileira são bastante diversificados. Você vê:

  •      os hobistas, que praticam a meliponicultura por lazer. Nesta categoria incluímos os colecionadores de espécies. É a maioria dos atores.
  •     os produtivistas, que fazem da meliponicultura um negócio, são aqueles que vivem das abelhas e seus produtos para ganhar dinheiro.
  •     os tradicionais, que são aqueles com forte vínculo cultural à prática, são criadores das comunidades tradicionais.
  •     e os conservacionistas, que criam as abelhas com o propósito único de conservação.

Se acha que outras categorias podem ser identificadas ou outras atividades foram ignoradas faça um comentário.

Cada grupo desses também são diversos e às vezes seus propósitos se sobrepõe a um ou outros dos demais grupos.

A necessidade de segmentação vem exatamente dessa dificuldade de, por esta tipificação, você separar múltiplos propósitos, haja vista que grupos menores, com propósitos que ferem as bases de conservação dessas abelhas têm tido um protagonismo muito forte, dando a impressão de que este é o pensamento dominante, o que não é.

Podemos identificar dois segmentos importantes de meliponicultores que merecem atenção especial. Por quê? Porque estes segmentos podem fortalecer causas mais justas e exequíveis para a conservação das abelhas nativas.

Um dos segmentos é o da meliponicultura responsável – aquele que agrega as pessoas que se preocupam com o status de conservação das abelhas e por isto procuram fazer a coisa certa. Não necessariamente certa para a conservação, mas que mira para este status desejado, o que já é algum muito positivo.

Identificamos 7 princípios (ou pilares) que podem nortear as ações desses meliponicultores. São eles:

1)     Abelhas sem ferrão são espécies silvestres, e como tal devem ser respeitadas.      
2)     Só criar espécies locais (de distribuição na região geográfica de ocorrência natural)
3)     Não capturar enxames em ninhos-armadilha com o propósito de comercialização das colônias.
4)     Estar ciente de que a criação de ninhos, quanto mais distante do local da fundação natural demandará mais atenção e cuidados, cujos riscos serão proporcionais a distância.
5)     Mais do que Negócios, a meliponicultura é Conservação
6)     As abelhas precisam de comida saudável. Só plantar arvores de espécies nativas locais.
7)     Quando vender colônias ou qualquer produto das abelhas, ou disponibilizar conteúdos sobre as abelhas, orientar o interessado sobre os pressupostos acima.

Então, se concorda com estes sete princípios, una-se a outros que pensem da mesma forma. Assim, não estará sendo enganado por propósitos escusos que só tendem a piorar o status de conservação dessas abelhas.

O segundo segmento que destaco é o da meliponicultura sustentável  - agregam as pessoas que não só se preocupam com o status de conservação das abelhas, mas que fazem realmente a coisa certa. É um segmento bem menor porque há uma série de limitações que dificultam sua prática. Limitações de local, limitações de espécies, limitações de ecossistemas etc.

Criação sustentável significa que as colônias mantêm seus ciclos geracionais, incluindo fundação, crescimento e reprodução das mesmas, a partir dos recursos naturais locais existentes, sem nenhum tipo de aporte de recursos para além da capacidade de suporte do ambiente. Em poucas palavras, sem alimentação artificial, sem multiplicação de colônias para além do máximo possível.

Assim, como no caso da meliponicultura responsável enumeramos 10 princípios (ou pilares) que podem nortear as ações desses meliponicultores.

Incluímos os mesmos 7 princípios da meliponicultura responsável e acrescentamos mais outros 3. São eles:

1)     Abelhas sem ferrão são espécies silvestres, e como tal devem ser respeitadas.      
2)     Só criar espécies locais (de distribuição na região geográfica de ocorrência natural)
3)     Não capturar enxames em ninhos-armadilha com o propósito de comercialização das colônias.
4)     Estar ciente de que a criação de ninhos, quanto mais distante do local da fundação natural demandará mais atenção e cuidados, cujos riscos serão proporcionais a distância.
5)     Mais do que Negócios, a meliponicultura é Conservação
6)     As abelhas precisam de comida saudável. Só plantar arvores de espécies nativas locais. 7)     Só criar colônias de espécies que possam obter seus próprios recursos, a partir de fontes naturais.

8)      Extrair recursos (mel, pólen e cera) respeitando os ciclos naturais de produtividade da colônia e na certeza de que tais ciclos não serão perturbados.

9)       Disponibilizar na natureza, cavidades para nidificação.

10)     Quando vender colônias ou qualquer produto das abelhas, ou disponibilizar conteúdos sobre as abelhas, orientar o interessado sobre os pressupostos acima.

 

É importante destacar que toda meliponicultura sustentável é uma meliponicultura responsável, mas o contrário não é verdadeiro.

Você pode ser um grande meliponicultor responsável, mas isto por si só não garante que suas práticas sejam sustentáveis, o que pode ser percebido pelos princípios já destacados.

Procuraremos em artigos  futuros explicar detalhadamente do porquê de cada um desses princípios.

Se gostou ou não gostou se manifeste abaixo e faça comentários. Temos muito assunto para tratar nos próximos vídeos.

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