Reflexões sobre a meliponicultura no Brasil
Os acontecimentos, nos últimos anos, tem nos levado a
reflexões profundas sobre o estado atual da arte da meliponicultura.
Devido a interesses diversos nesta área, em que uma
multiplicidade de atores vem atuando, às vezes de forma conflitante, é
necessário definirmos segmentações de interesses mais amplos para que os atores
sejam claramente identificados permitindo alianças mais profundas para se
alcançar as melhores práticas para a conservação das abelhas sem ferrão.
Sim, caro observador, se você cria abelha sem ferrão, é
necessário saber em que lado desse universo chamado de Meliposfera você está.
Se você cria abelha sem ferrão, ou se interessa pelo
assunto, saiba que a meliponicultura vem passando por um período conturbado nos
últimos anos com a expansão de técnicas de criação e manejo, algumas
questionáveis.
Antes restrita a comunidades tradicionais, principalmente no
Norte e Nordeste do país, e a institutos
de pesquisa, esta prática explodiu a partir de 2010.
Acontece que junto com o aumento do interesse por estas
abelhas, estimulado principalmente pelas redes sociais, surgiu um segmento exploratório
que é o de comercio de ninhos.
O atrativo principal, foram e ainda são as abelhas das
regiões Norte e Nordeste do país onde, não só pelo tamanho dos ninhos e
docilidade das espécies, mas também pelas condições ambientais favoráveis, estão
as populações mais produtivas de mel.
Porém, as abelhas possuem fronteiras ecológicas que limitam o
seu desenvolvimento, e a grande produtividade que se vê nos seus locais de origem
(Norte e Nordeste), não se repete em outros territórios.
Independente disso, um segmento de criadores interessado no
negócio potencial que surgiu vem estimulando cada vez mais o comercio de ninhos
e para isto utilizam de estratégias que ultrapassam os limites da
responsabilidade, tais como:
1)
a produção intensiva de ninhos, para a
comercialização, além da capacidade de suporte do ambiente,
2)
o uso das abelhas como criação pet, sob o
argumento de que são espécies domésticas, o que não são,
3)
o uso de ninhos-armadilha para a comercialização
de ninhos,
4)
o argumento da criação zootécnica, prática ainda
longe para se chegar, haja vista o uso de tais práticas ainda recentes.
A despeito do comercio de ninhos, isto não é o problema em
sí. O bom comercio pode ser estimulado e até mesmo incentivado. Mas é uma atividade
que deve ser feita com responsabilidade.
Nesta esteira comercial vem a pior prática que é o comercio
de ninhos de espécie fora da sua área de ocorrência natural, prática esta que
tem predominado neste tipo de negócio.
Eu te pergunto, e peço que responda nos comentários sobre a
seguinte questão: Se você comprou ninhos de algum fornecedor, ele te orientou
com relação aos cuidados necessários e te informou da origem do ninho? Muitas
pessoas que me procuraram e ainda procuram, são exatamente aquelas que não
tiveram a devida orientação e estavam tendo dificuldades na manutenção de suas
colônias.
O vendedor, para quem compra, cria facilidades, que é o bônus,
mas não informa das dificuldades, que é o ônus. Então podemos imaginar a
quantidade de ninhos que estão desaparecendo por conta dessa falta de clareza
nas informações.
Aquele gesto que se imaginava conservacionista do comprador,
é na verdade o primeiro passo para contribuir com esta estatísticas obscuras de
mortes de colônias. Faça seus comentários.
Se você
é criador de abelha, ou se interessa pelas abelhas sem ferrão saiba então que
temos este segmento obscuro da meliponicultura que precisa ser combatido.
Quando adquirir qualquer ninhos de abelhas, peça ao vendedor
um documento autenticado de garantia onde estejam claramente as devidas
orientações e informações sobre o ninho adquirido com pelo menos o nome da
espécie e o ponto geográfico de origem.
Quanto aos segmentos da meliponicultora de interesse cito
dois que são importantes.
Porque importantes? Porque nosso foco são os praticantes da
Meliponicultura Responsável, e os praticantes da Meliponcultura Sustentável para
os quais alguns princípios definem tais papeis. Estes princípios orientam a
trajetória seguida por cada segmento, permitindo se estabelecer alianças mais
consistentes e coerentes com nossa causa, seja ela qual for.
É importante destacar que toda Meliponicultura sustentável É
uma meliponicultura responsável, mas o contrário não é verdadeiro.
Você pode ser um grande meliponicultor reponsável, mas isto
por si só não garante que suas práticas sejam sustentáveis.
Antes que alguém se manifeste criticamente, deixo claro que
quando falamos em sustentabilidade, nos referimos à sustentabilidade das abelhas
e não do criador, como tenho visto em comentários em outros canais.
Se gostou ou não gostou se manifeste abaixo e faça comentários.
Temos muito assunto para tratar nos próximos artigos.
Se você deseja saber mais sobre as abelhas sem ferrão, saiba
que temos o canal Abelhazum Academia EAD, na plataforma Hotmart, que oferece
temas e abordagens que vão além do que você normalmente vê na internet. Não
basta criar abelhas, é necessário se aprofundar na Meliposfera para que seja um
meliponicultor de sucesso.
Por Murilo Drummond
*clique na imagem para acessar o vídeo. Se não disponível, acesse-o na plataforma Meliponicultura Sem Rodeios+
Comentários
Postar um comentário