O que queremos?


A meliponicultura deu um salto gigantesco nos últimos anos no Brasil. Contudo, a partir da nossa experiência de 20 anos com a meliponicultura comunitária, naturalmente sustentável, a expansão dela, embora como uma causa nobre, a conservação das espécies, se enviesou por outros caminhos, de nobreza mais questionável.

Na tentativa de transferir o modelo de meliponicultura produtivista observada no norte e nordeste do país, obviamente frustrada, já que espécies e ecossistemas não são os mesmos, se intensificou o modelo de comercialização de ninhos, na maioria, como atividade de tráfico, transportando espécies para fora de sua área de ocorrência natural.

Ao mesmo tempo, a Internet floresceu de informações de todo o tipo, e com o avanço da possibilidade da monetização por meio dos canais de rede, floresceu também muito conteúdo ruim. Isto tem criado situações em que as pessoas, além de não serem devidamente esclarecidas acabam sustentando o comercio ilegal de ninhos.

O fato é que, sendo as abelhas nativas componentes essenciais desse espaço ambiental complexo que chamamos de MELIPOSFERA, não é possível imaginar se fazer com sucesso qualquer coisa fora desse contexto. Qualquer intervenção que se queira fazer nesse espaço, seja conservacionista, seja produtivista, sem entender as pessoas e coisas interrelacionadas, e que afetam de forma positiva ou negativa este espaço, só tenderá a piorar um cenário já abalado pela falta de propósitos.

Sendo assim, o Instituto Abelhas Nativas, decidiu colocar na prática tudo aquilo que experiências de seus fundadores em projetos comunitários puderam mostrar como o caminho sustentável. São compromissos que continuam latentes e vem de suas raízes a partir da Associação Maranhense Para a Conservação da Natureza (AMAVIDA), do Instituto Abelhas Nativas do Maranhão, da Associação dos Meliponicultores do Projeto Abelhas Nativas (AMELPAN) entre outras. Estes são os compromissos:

- Crescimento profissional e aprendizagem: O IAN é a base de replicação das experiências da tecnologia social da meliponicultura comunitária e para isto trabalha para que seus colaboradores, incluindo aqui administradores e membros das comunidades envolvidas, absorvam estas experiências e repliquem o máximo possível.

- Diversidade, equidade e inclusão: O IAN pauta pela valorização da diversidade, equidade e inclusão em todos os aspectos gerenciais, seja na base administrativa, seja na base executiva do projeto. As experiências têm mostrado, por exemplo, que as mulheres agricultoras familiares se engajam mais no espírito da sustentabilidade do que os homens na meliponicultura e são excelentes motivadoras e gestoras.

- Sustentabilidade ambiental: Obviamente, esta é a razão de ser do instituto e por isto ele procura sempre pautar este compromisso no conceito da meliponicultura comunitária.

- Impacto social: Trazemos a experiência dos projetos comunitárias de geração de renda em comunidades rurais do Nordeste com impactos comprovados em vários aspectos.

- Equilíbrio entre vida profissional e pessoal: Somos amantes das práticas saudáveis, visamos o bem das pessoas. Procuramos independência financeira por meio de parcerias, mas não o lucro, e nossa meta é reaplicar os fundos financeiros pela sustentabilidade das comunidades e isto pressupõe também melhor qualidade de vida para todos os colaboradores.

A fim de que tais compromissos sejam de fato implementados, o IAN está estabelecendo, e aberto a parcerias com entidades empresariais e associações. Considerando a educação em seus diferentes níveis como a base desses compromissos, o IAN está aberto a propostas de colaboradores que possam contribuir nas suas estratégias de capacitação a distância. A absorção desses colaboradores é feita por uma empresa privada, a Abelhazum Academia, que é a encarregada de contratar os colaboradores que atendam estes preceitos do Instituto Abelhas Nativas. Qualquer pessoa interessada pode acessar o site https://www.beekipedia.eco.br e preencher um cadastro de proposição (https://forms.gle/FsRBifZJ2JQm8qj87). No momento o IAN está focado nas propostas de colaboradores que queiram atuar nas seguintes atividades: a) Professor Conteudista, b) Professor Conferencista e c) Professor Tutor.

O que se pede de cada um?:

a)      Professor Conteudista(Responsável em produzir o conteúdo dos cursos): Proposição de temas para cursos de 20 horas no universo dos insetos sociais, com envio de currículo demonstrativo da qualificação no tema. Uma vez aprovado a proposta, Abelhazum compra o conteúdo;

b)     Professor Conferencista (responsável pelas aulas sincrônicas on-line): Proposição de temas no universo dos insetos sociais com o qual tenha disponibilidade para apresentação em videoconferência, com envio de currículo demonstrativo da qualificação no tema.  Uma vez aprovado a proposta, Abelhazum contrata por hora/aula;

c)      Professor Tutor (responsável em acompanhar o desempenho dos alunos e dar suporte quando necessário): Proposição de disponibilidade para monitorar as atividades dos alunos em qualquer curso, com envio de currículo demonstrativo da qualificação em tutoria. Uma vez aprovado a proposta, Abelhazum contrata por hora/dia.

Além dessa parceria com a Abelhazum Academia, o IAN, em sua estratégia de fortalecimento das entidades associativas, está ampliando o número de afiliados na divulgação dos cursos oferecidos no site https://abelhazum.com.br. Experiência com a Associação de Meliponicultores do Espírito Santos (AME-ES), tem mostrado que esta é uma estratégia bastante positiva para ambos.

Murilo Drummond (1o Vice-Presidente)

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